quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Que Será!?

                Uma das maiores preocupações mundiais hoje em dia, encabeçadas pelos ecologistas, é a dependência e utilização de fontes de energia esgotáveis (entenda-se petróleo) e as consequências que isto trará para o mundo, tanto no meio econômico-produtivo – quando esta fonte se esgotar – quanto no meio ecológico, referente as conseqüências ambientais.

                Mas me interessa pensar em um outro tipo de recurso – bem mais abstrato, admito – mas que também tem sido intensamente explorado pelo ser humano e pode, se não se esgotar, mostrar-se uma bomba relógio: a ciência.

                Será que ciência é infinita? Poderemos continuar fazendo descobertas para sempre, sem que um dia esbarremos em paredes invisíveis de limitações sensoriais? Quão menor que o átomo conseguiremos ir? Porque sempre haverá algo menor – tem de haver, não tem? – mas nem sempre estará ao nosso alcance, pois o que há de existir ultrapassa demais as compreensões humanas. Então será que a ciência, um dia bem no futuro, há de se esgotar; chegar a um fundo intransponível por limitações naturais que não podemos negar?

                É tão difícil crer que a ciência pode-se acabar quanto crer que ela é infinita.

                O fato que pode ser constatado cada vez mais na história humana é que o conhecimento e principalmente a dominação da natureza que dele resulta não trazem resultados muito animadores. Muitos cientistas diriam que, com a tecnologia que já temos, estamos levando o mundo a beira do colapso – imagine então quando o conhecimento se expandir ainda mais. Quando transformar matéria em energia e energia em matéria não for mais mistério. Quando teletransporte for mais barato que a tarifa do ônibus. Quando criarmos uma bomba com capacidade de destruir um continente em um clique. Quando o raio lazer, ultrapassado,for vendido a preço de banana. Quando o mundo virtual for maior que o físico. Quando a medicina realizar transplantes e renovações de cérebro, criando a vida eterna em corpos diferentes. Quando houver remédio para tudo e formos capazes de transformar um elemento em qualquer outro sem nenhum esforço. Quando tudo for fácil demais.

                Se toda a tecnologia resultada do avanço cientifico fosse usada racionalmente e seguindo alguns princípios, talvez nós nos aproximássemos de um mundo perfeito. Mas a verdade é que nós já temos condições de criar um mundo bom, um mundo mais justo e menos miserável, mas o conhecimento não é aplicado para isto. A humanidade criou inúmeras regras sociais para a aplicação do conhecimento, que quase sempre não permite que ele seja usado para criar um mundo melhor.

                Antes a ciência parasse agora, congelasse. Já conhecemos o bastante e revolucionamos o bastante. O único desafio agora deveria ser aplicar esta tecnologia da forma correta. Mas isto é utopia. Porque o ser humano, o único animal racional, alienou-se com um sistema irracional criado por sua própria racionalidade que não conseguiu se livrar de seus instintos irracionais.

                Agora tenho certeza: eu pirei.

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